RIBEIRA D´ILHAS, Ericeira, Portugal (Sábado, 9 de outubro) – Só deu Havaí no MEO Vissla Pro Ericeira, com as vitórias de Ezekiel Lau, 27 anos, sobre o australiano Jackson Baker, 24, e de Luana Silva, 17, na final havaiana com Gabriela Bryan, 19, no sábado em Portugal. O Havaí agora lidera os dois rankings do WSL Challenger Series, com Gabriela se mantendo na frente e Ezekiel subindo do 34.o para o primeiro lugar, com o título nas ondas de Ribeira D´Ilhas. Luana também entrou na zona de classificação para o CT 2022, saltando da 48.a para a terceira posição. A próxima batalha por pontos é no Quiksilver Pro France, que começa no dia 16 em Hossegor, na França.

Em Portugal, o Brasil parou nas quartas de final que abriram o sábado decisivo do MEO Vissla Pro Ericeira. O catarinense Alejo Muniz perdeu, por 13,50 a 10,67 pontos, para o havaiano Imaikalani Devault, recordista absoluto das duas etapas do WSL Challenger Series, com a nota 10 e os 19,60 pontos que conseguiu na quinta-feira em Ribeira D´Ilhas. Na bateria seguinte, a cearense Silvana Lima só surfou uma onda boa que valeu 7,50 e perdeu para a francesa Pauline Ado, por 15,57 a 10,07. Alejo Silvana terminaram em quinto lugar, recebendo a mesma premiação de 3.500 dólares e 5.000 pontos no ranking.

Silvana Lima (Foto: Damien Poullenot/World Surf League)

Com o resultado desta etapa de Ericeira, João Chianca é o único brasileiro no grupo dos 12 surfistas que o Challenger Series classifica para completar a elite que vai disputar o World Surf League Championship Tour em 2022. O surfista de Saquarema (RJ) perdeu nas oitavas de final, ficou em nono lugar e subiu de 29.o para 14.o no ranking. É o penúltimo no G-12, porque tem três tops do CT já garantidos em 2022 à sua frente, Griffin Colapinto (EUA) em quinto lugar, Leonardo Fioravanti (ITA) em oitavo e Kanoa Igarashi (JPN) em nono.

Além de João Chianca, mais quatro surfistas entraram no G-12 em Portugal, o campeão Ezekiel Lau, o vice-campeão Jackson Baker e os americanos Nat Young e Cole Houshmand. O último da lista no momento é o australiano Matt Banting em 15.o lugar no ranking. Logo abaixo dele estão os peruanos Lucca Mesinas em 16.o, Alonso Correa em 17.o e os brasileiros Thiago Camarão em 18.o e Alejo Muniz, que saltou da 58.a para a vigésima posição, com o quinto lugar conquistado na Reserva Mundial de Surfe de Ericeira.

Alejo Muniz (Foto: Damien Poullenot/World Surf League)

MEO Vissla Pro foi disputado em ótimas ondas durante toda a semana no point break de direitas de Ribeira D´Ilhas. No sábado, elas baixaram um pouco e as séries ficaram mais espaçadas, fazendo com que poucas ondas entrassem nas baterias. Mas, a formação melhorou, abrindo longas paredes para os surfistas fazerem várias manobras. O campeão Ezekiel Lau foi o destaque do dia, nas duas baterias que disputou no sábado.

Na semifinal contra Nat Young, fez o maior placar do sábado, 17,40 pontos, somando as notas 9,17 da sua primeira onda, com 8,23 da última que pegou. O californiano também surfou bem e atingiu 15,67 pontos, com notas 8,50 e 7,17. A outra vaga na grande final foi disputada pelos dois vencedores das baterias que abriram o sábado. O australiano Jackson Baker achou as melhores ondas para computar 8,83 e 8,10, na vitória por 16,93 a 12,24 pontos sobre o recordista do WSL Challenger Series 2021Imaikalani Devault.

Ezekiel Lau (Foto: Damien Poullenot/World Surf League)

DECISÃO DO TÍTULO – O australiano impediu que as duas finais do MEO Vissla Pro Ericeira fossem 100% havaianas, mas não a vitória.  Ezekiel Lau começou na frente com nota 8,00, contra 7,27 da primeira onda de Jackson Baker. Logo o havaiano surfa muito bem outra onda, atacando os pontos mais críticos com manobras explosivas para receber 8,57. O australiano demorou para surfar sua segunda onda, devido aos longos intervalos entre as séries no sábado. Ele só pegou outra quando restavam 10 minutos para acabar a bateria e foi fazendo grandes manobras, mas errou a finalização e ganhou nota 6,00.

Depois, Ezekiel controlou o tempo para voltar a festejar uma vitória na carreira. A última havia sido em 2018, na Vans World Cup of Surfing no Havaí, na final com o brasileiro Jessé Mendes (2.o), o francês Joan Duru (3.o) e o americano Griffin Colapinto (4.o) em Sunset Beach. Ele integrou a elite do CT entre 2017 e 2019 e fez duas semifinais nestes 3 anos, no Oi Rio Pro 2018 em Saquarema e no Rip Curl Pro Bells 2017 na Austrália. Com o título em Portugal, assumiu a liderança do ranking, dando um grande passo para retornar ao CT.

“Eu perdi minha vaga no CT anos atrás e tenho trabalhado bastante para poder voltar. Eu sabia que poderia conseguir um bom resultado nesse evento, então tentei focar ao máximo nisso”, disse Ezekiel Lau“Eu treinei muito para poder estar aqui no pódio e estou muito feliz pela vitória. Quero agradecer a todos que me ajudaram a chegar até aqui, minha família, minha noiva, todos que me apoiaram nos treinos e meus patrocinadores também. Agora tem a França e o trabalho ainda não foi concluído, porque meu objetivo é ganhar o ranking do Challenger Series. A vitória aqui foi apenas um passo para eu voltar ao CT”

Luana Silva e Ezekiel Lau (Foto: Damien Poullenot/World Surf League)

DOMÍNIO HAVAIANO – Na categoria feminina, as havaianas ainda adolescentes também se destacaram durante todo o evento. Na quinta-feira, Bettylou Sakura Johnson fez o maior placar feminino do ano nas duas etapas do WSL Challenger Series, 18,66 pontos. No sábado, ela foi barrada por Luana Silva em um duelo eletrizante nas quartas de final. A campeã já mostrou nesta bateria, vencida por 16,00 a 14,57 pontos, que o seu surfe estava bem encaixado com as condições do mar do último dia.

Gabriela Bryan também começou bem no sábado, derrotando a japonesa Shino Matsuda por 16,16 a 10,93. Nas semifinais, elas brilharam de novo em dois duelos espetaculares, com as quatro competidoras surfando as direitas de Ribeira D´Ilhas com um nível técnico altíssimo. Gabriela derrotou a francesa Pauline Ado por 16,50 a 16,00 pontos, praticamente garantindo sua classificação para o CT com a passagem para a final. E Luana Silva superou a espanhola Ariane Ochoa, do País Basco, por pouco também, 16,26 a 15,60.

VITÓRIA DE VIRADA – Na decisão do título, Gabriela Bryan largou na frente, com nota 8,83 na primeira onda, destruída por sete manobras muito fortes do início ao fim. Luana Silva também iniciou de forma fulminante, com a maior nota feminina do WSL Challenger Series 2021. Com grandes arcos e fortes batidas e rasgadas, ganhou 9,80 dos juízes. Mas, Gabriela se manteve na frente, com a nota 8,30 da sua segunda onda igualmente muito bem surfada.

Gabriela Bryan (Foto: Damien Poullenot/World Surf League)

As séries continuavam demorando a entrar e Luana precisava de 7,33 para vencer. Ela chegou perto disso na primeira tentativa, recebendo 6,33. Gabriela surfa outra onda boa que valeu 7,93, nota que foi descartada. O tempo vai passando sem entrar ondas boas, chegou nos 5 minutos finais com Luana tendo a prioridade de escolher a próxima para surfar, mas ela rema numa onda ruim há 2 minutos do fim, com a prioridade passando para Gabriela.

No último minuto, as duas remam numa onda e Gabriela entra para impedir Luana de surfar. Só que entra outra onda faltando 15 segundos, Luana pega e ataca forte com um rasgadão, uma batida vertical, segue abrindo grandes leques de água nas manobras e arrisca tudo na junção para finalizar a onda. Ela vibra e fica a expectativa pela nota, que os juízes dão 8,23 para Luana Silva vencer o MEO Vissla Pro Ericeira com uma virada espetacular no placar encerrado em incríveis 18,03 a 17,13 pontos.

“Eu sabia que essa final com a Gabriela (Bryan) ia ser muito difícil e estou muito feliz pela vitória. Nem consigo falar direito de tanta emoção”, disse Luana Silva“Eu fiquei bastante tempo esperando por uma onda, aí a bateria estava acabando, mas no finalzinho vi uma série entrando e pensei: é agora ou nunca, preciso ir com tudo. Estou muito feliz com a minha performance nesse evento, de poder mostrar meu surfe aqui e fiquei amarradona com aquela nota 9,80”.

Luana Silva (Foto: Damien Poullenot/World Surf League)

Mesmo com apenas 17 anos de idade, Luana Coelho Silva, que nasceu em Honolulu e é filha de pais brasileiros, já tinha duas vitórias em etapas do WSL Qualifying Series, ambas na Austrália. A primeira foi no Phillip Island Pro em 2019 em Victoria e a outra no também QS 1000, Mothernest Great Lakes Pro, em New South Wales. Já Gabriela Bryan tem três vitórias em lugares de ondas grandes, no Wahine Pipe Pro 2018 em Pipeline e no Papara Pro Open Tahiti, onde foi bicampeã em 2018 e 2019.

“Estou bem feliz com o meu surfe aqui, fiz o melhor possível para vencer, mas entrou aquela última onda para ela e eu não tinha mais o que fazer”, lamentou Gabriela Bryan“Mesmo assim, estou bem orgulhosa da minha performance e contente com a minha consistência nos eventos, o que é fundamental. Fico feliz pela Luana (Silva) também, me diverti bastante aqui em Portugal e agora espero ganhar lá na França”.

Gabriela já tinha sido vice-campeã da primeira etapa do WSL Challenger Series 2021, o US Open of Surfing na Califórnia, e lidera o ranking com 21.000 pontos, contra 13.300 da nova vice-líder, Brisa Hennessy, da Costa Rica. Com a vitória no Meo Vissla Pro EriceiraLuana Silva saltou da 48.a para a terceira posição. Mais duas surfistas entraram no G-6 que vai para o CT 2022 em Portugal, as semifinalistas Pauline Ado, da França, que subiu do 21.o para o quarto lugar, e Ariane Ochoa, do País Basco, de 24.o para quinto.

Gabriela Bryan e Luana Silva (Foto: Damien Poullenot/World Surf League)

VAGAS PARA O CT 2022 – O WSL Challenger Series vai completar a elite que disputará os títulos mundiais no World Surf League Championship Tour 2022, classificando 12 surfistas para a categoria masculina e seis para a feminina. Serão quatro etapas e os rankings irão computar três resultados, com um deles podendo ser a maior pontuação obtida nas etapas do WSL Qualifying Series de 2020 disputadas até o mês de março, antes do Circuito Mundial ser cancelado por causa da pandemia do Covid-19.

A batalha pelas vagas para o CT 2022 começou semana passada no US Open of Surfing apresentado pela Shiseido na Califórnia, neste sábado terminou o MEO Vissla Pro Ericeira em Portugal e tem mais duas etapas para fechar o WSL Challenger Series 2021. A próxima é o Quiksilver Pro France, que começa no dia 16 e vai até 24 de outubro na França. E a última é o Haleiwa Challenger, de 26 de novembro a 7 de dezembro em Haleiwa Beach, no Havaí.

RESULTADOS DO ÚLTIMO DIA DO MEO VISSLA PRO ERICEIRA:

DECISÃO DO TÍTULO MASCULINO:
Campeão: Ezekiel Lau (HAV) por 16,57 pontos (8,57+8,00) – US$ 20.000 e 10.000 pontos
Vice-campeão: Jackson Baker (AUS) com 13,27 (7,27+6,00) – US$ 10.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com US$ 5.000 e 6.500 pontos:
1.a: Ezekiel Lau (HAV) 17,40 x 15,67 Nat Young (EUA)
2.a: Jackson Baker (AUS) 16,93 x 12,24 Imaikalani Devault (HAV)

QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar com US$ 3.500 e 5.000 pontos:
——— fecharam a sexta-feira:
1.a: Ezekiel Lau (HAV) 15,93 x 8,00 Jordan Lawler (AUS)
2.a: Nat Young (EUA) 18,23 x 17,56 Carlos Munoz (CRI)
———abriram o sábado:
3.a: Jackson Baker (AUS) 15,50 x 13,50 Dylan Moffat (AUS)
4.a: Imaikalani Devault (HAV) 13,50 x 10,67 Alejo Muniz (BRA)

DECISÃO DO TÍTULO FEMININO:
Campeã: Luana Silva (HAV) por 18,03 pontos (9,80+8,23) – US$ 20.000 e 10.000 pontos
Vice-campeã: Gabriela Bryan (HAV) com 17,13 (8,83+8,30) – US$ 10.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com US$ 5.000 e 6.500 pontos:
1.a: Gabriela Bryan (HAV) 16,50 x 16,00 Pauline Ado (FRA)
2.a: Luana Silva (HAV) 16,26 x 15,60 Ariane Ochoa (ESP)

QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar com US$ 3.500 e 5.000 pontos:
1.a: Pauline Ado (FRA) 15,57 x 10,07 Silvana Lima (BRA)
2.a: Gabriela Bryan (HAV) 16,16 x 10,93 Shino Matsuda (JPN)
3.a: Ariane Ochoa (ESP) 15,60 x 13,10 Brisa Hennessy (CRI)
4.a: Luana Silva (HAV) 16,00 x 14,57 Bettylou Sakura Johnson (HAV)

G-12 DO WSL CHALLENGER SERIES – 2 etapas de 2021 + 1 do QS 2020:
*-vaga no CT 2022 já garantida
01: Ezekiel Lau (HAV) – 14.250 pontos
02: Jake Marshall (EUA) – 12.500
03: Imaikalani Devault (HAV) – 12.000
04: Nat Young (EUA) – 11.900
*05: Griffin Colapinto (EUA) – 10.750
05: Liam O´Brien (AUS) – 10.750
07: Jackson Baker (AUS) – 10.350
*08: Leonardo Fioravanti (ITA) – 10.000
*09: Kanoa Igarashi (JPN) – 9.750
10: Callum Robson (AUS) – 9.500
11: Shun Murakami (JPN) – 8.850
12: Cole Houshmand (EUA) – 8.750
13: Nolan Rapoza (EUA) – 8.325
14: João Chianca (BRA) – 8.250
15: Matt Banting (AUS) – 8.000
——–próximos sul-americanos até 100:
16: Lucca Mesinas (PER) – 8.000 pontos
17: Alonso Correa (PER) – 7.850
18: Thiago Camarão (BRA) – 7.650
20: Alejo Muniz (BRA) – 7.500
26: Samuel Pupo (BRA) – 6.350
28: Lucas Silveira (BRA) – 6.150
33: Wiggolly Dantas (BRA) – 5.800
35: Ian Gouveia (BRA) – 5.650
*38: Jadson André (BRA) – 5.000
44: Weslley Dantas (BRA) – 4.750
49: Alex Ribeiro (BRA) – 4.225
50: Edgard Groggia (BRA) – 4.150
*53: Deivid Silva (BRA) – 44.000
*61: Yago Dora (BRA) – 3.250
66: Mateus Herdy (BRA) – 3.150
68: Michael Rodrigues (BRA) – 3.100
69: Marco Giorgi (URU) – 3.000
72: Willian Cardoso (BRA) – 2.800
72: Jessé Mendes (BRA) – 2.800
75: Caio Ibelli (BRA) – 2.750
76: Rafael Teixeira (BRA) – 2.700
*80: Filipe Toledo (BRA) – 2.500
80: Leandro Usuna (ARG) – 2.500
86: Victor Bernardo (BRA) – 2.150
89: Marcos Correa (BRA) – 2.100
94: Lucas Vicente (BRA) – 1.800
95: Renan Pulga Peres (BRA) – 1.750
95: Leo Casal (BRA) – 1.750

G-6 DO WSL CHALLENGER SERIES – 2 etapas em 2021 + 1 do QS 2020:
*-vaga no CT 2022 já garantida
1.a: Gabriela Bryan (HAV) – 21.000 pontos
2.a: Brisa Hennessy (CRI) – 13.300
3.a: Luana Silva (HAV) – 12.100
4.a: Pauline Ado (FRA) – 11.550
5.a: Ariane Ochoa (ESP) – 11.200
5.a: Caitlin Simmers (EUA) – 11.200
——–sul-americanas até 100:
33: Silvana Lima (BRA) – 5.650 pontos
37: Summer Macedo (BRA) – 4.850
44: Daniella Rosas (PER) – 3.900
50: Sol Aguirre (PER) – 3.250
56: Dominic Barona (EQU) – 2.975
71: Josefina Ané (ARG) – 1.575
73: Anali Gomez (PER) – 1.500
94: Sophia Medina (BRA) – 700

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João Carvalho – jcarvalho@worldsurfleague.com

WSL Latin America Media Manager

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